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Peperômia Urbana

Como me tornei vegana


Você já deve ter percebido: as pessoas querem estar certas.

Quanto mais você mostra uma opção diferente, mais as pessoas se apegam ao ponto de vista delas.

Então tem uma pessoa na minha vida que, sabendo da minha dieta plant-based, precisa se auto-afirmar. "Ela está certa, eu estou errada."

E vive me mandando posts de redes sociais…

(uma fonte super segura de informações… hum-hum)

…com "verdades" que reafirmam seu ponto de vista.

Se são "verdades" verdadeiras ou não, isso parece não ser relevante para as pessoas que precisam se auto-afirmar. Você já percebeu?

Outro dia recebi um que dizia: "Gisele Bündchen deixa o veganismo porque aprendeu a ouvir o seu corpo."

Bem… Vamos começar do começo. Gisele não pode ter deixado o veganismo porque ela nunca foi vegana.

Você não pode deixar um lugar em que você nunca esteve.

Ela experimentou algo diferente por 2 semanas. Não dá nem tempo do corpo começar a se adaptar.

Essa pessoa, que precisa tanto se auto-afirmar, não sabe que eu comecei a ouvir o meu corpo em 1997 (no século passado, gente! 😅)

Foi quando eu percebi que estava na hora da minha dieta começar a refletir o que eu sentia.

Em 97 eu nunca tinha ouvido falar de veganismo, então com certeza não era essa a meta.

Mas eu já tinha entendido que se eu me recuso a comer um cachorro, eu não deveria comer um porco. Ou uma vaca.

Uma questão de congruência.

Eu comecei a ler mais livros (não tinha google) com conteúdos sobre vegetarianismo:

- A questão física: a verdadeira necessidade do corpo

- A questão ambiental: a destruição ambiental que a criação de animais causa

- A questão espiritual: como nosso perispírito e nossa percepção espiritual são afetados pelo consumo de carne

- A questão ética: animais desprovidos de dignidade da vida e tratados como coisas que podem ser usadas e descartadas.

E assim, entendendo que em todos os níveis seria melhor pra mim, que seria mais congruente com o carinho que eu tenho pela Terra e pelos animais, eu comecei a mudar.

Uma questão de integridade.


Mas eu não virei vegetariana da noite para o dia.

Eu sabia que o meu corpo talvez precisasse de tempo para se adaptar e absorver nutrientes de novas fontes.

Também o meu entorno era diferente do que é hoje.
Quase trinta anos atrás não se falava de veganismo. Restaurantes vegetarianos eram algo do "povo alternativo".

E, um dia de cada vez, eu comecei a prestar atenção ao meu corpo.

Quando eu estava à mesa para me servir, meu corpo pedia ou não pedia carne? Pedia ou não pedia uma outra opção?

Aos poucos eu comecei a perceber a resposta. Não foi de uma hora para a outra. Não foi na primeira semana.

Mas aos poucos eu comecei a perceber quando meu corpo pedia carne e, sempre que ele não pedia, eu não comia.

O prato fica mais colorido.
A digestão fica mais rápida.
O corpo fica mais leve.

É fácil começar a gostar.

Em 1999 eu estava há mais de seis meses sem comer mamíferos, de férias com a família, e a minha tia fez a famosa chantagem emocional para cima de alguém como eu, que nasceu querendo agradar.

Querer agradar é um sabotador que me acompanhou a vida toda.

A tia fez tanto drama sobre o tal do kibe que ela fez, que eu acabei comendo.

Doze horas depois, meu corpo ainda estava reclamando.

O estômago pesado.
A mente embotada.
O corpo sonolento.

Estava claro: se eu não ouvisse meu corpo, ele me mostraria de outras formas.

Quase 30 anos depois, é muito mais fácil qualquer pessoa mudar a sua dieta.
E também é muito mais fácil ouvir o seu corpo.

O que eu fiz em anos você pode fazer em meses.

Mas precisa estar presente.

Com amor pelo seu corpo.

E, principalmente, não ter pressa.

Bora Plantar Luz!

Turi

Rua Pelotas 240, São Paulo, SP 04012000
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