Nada gostosinho é o fato de estamos na iminência da sexta extinção em massa no planeta. Sabemos que as mudanças dramáticas estão acontecendo.
Nos últimos 600 milhões de anos, nosso planeta passou por cinco extinções em massa, que exterminaram entre 75% e 90% da vida.
Em seguida, a Terra se recria.
O evento mais recente, estimado em 66 milhões de anos atrás, pôs fim ao reinado do favorito de Hollywood: o dinossauro.
"A diferença entre a iminente sexta extinção e as anteriores é que, desta vez, não há meteoros, colisões com cometas ou grandes cataclismos geológicos — pelo menos não ainda —. Desta vez, não temos a quem culpar, a não ser a nós mesmos."
Um artigo de 2015 publicado na revista Science argumenta que, como espécie, os seres humanos “atuam como um ‘superpredador’ insustentável”, quatorze vezes mais letal do que os predadores na natureza.
“(...)atualmente, estima-se que a taxa de extinção de espécies seja entre 1.000 e 10.000 vezes maior do que as taxas naturais de extinção”.
[Está ótimo para quem se acha a espécie mais inteligente, não?]
"O fator mais determinante para um possível apocalipse é o afastamento da civilização humana da Natureza." - Dr. Bruce Lipton
Respira.
Porque as coisas não vão continuar assim por muito tempo, não.
É um ciclo natural: o antigo cai em ruínas para o novo nascer.
Nós estamos na mudança. E é uma mudança necessária.
É uma evolução de consciência.
Cada um de nós que desperta acelera o despertar coletivo.
"Seja a mudança que você quer ver no mundo." - Mahatma Gandhi
Vamos entender um pouquinho de como chegamos até aqui?
Como esta espécie capaz de chegar à Lua tem tanta dificuldade pra viver em harmonia com seu próprio habitat?
Há milhares de anos, as populações nativas já entendiam a Terra como um grande jardim.
E viam a espécie humana com um propósito claro: ser os jardineiros, os guardiões desse jardim, em harmonia com a "Mãe" Terra.
Muita água passou por essa ponte até chegarmos no sistema de crenças destrutivo de separação da natureza em que estamos hoje.
A Igreja, declarando ter o conhecimento vindo direto de Deus e a única "dona da verdade", enfatizou que o ser humano deveria ter "domínio" sobre a natureza.
Quando a "dona da verdade" deixou de ser a Igreja e passou a ser a ciência, infelizmente caímos sob o pensamento de um homem muito influente em sua época.
Francis Bacon (1561-1626) defendia que, ao entender a matéria, teríamos domínio sobre a natureza.
Além de perpetuar a ideia de separação, ele era declaradamente misógino e usava metáforas de dominação e violência sexual para descrever o método científico.
Suas palavras desempenharam um papel fundamental na ideia de "natureza selvagem que precisa ser dominada" e a "lógica" da subjugação das mulheres e do mundo natural que vivemos até hoje.
Quando chegou Darwin, rompendo de vez a ligação entre a ciência e o dogma religioso, a peça principal ainda estava solta.
A ideia de evolução "aleatória" e "acidentes" genéticos, sem perceber o papel do ambiente nessa evolução (epigenética), continuou mantendo a separação entre o ser humano e a natureza.
Um estudo bancado pela NASA destacou a possibilidade de que nosso modelo de civilização entre em colapso nos próximos 20 anos.
A exploração insustentável dos recursos e a distribuição cada vez mais desigual da riqueza têm muito a ver com isso.
Dr. Lipton afirma:
"O caos inicia a mudança e pode ser o precursor da criação de uma versão mais avançada da civilização."
"O caos de hoje é um casulo, não um caixão."
A mudança está acontecendo.
Precisamos amanhecer borboletas.
"Atualmente os cientistas acreditam que a evolução é resultado de longos períodos de estagnação pontuados por mudanças repentinas e dramáticas."
Repentinas, não demoradas.
Cada um de nós vivenciou o efeito lua de mel, como estar apaixonado pode transformar nossa forma de ver o mundo da noite para o dia.
Dr. Lipton argumenta que, se isso é verdadeiro para indivíduos, então pode ser verdadeiro para culturas.
E eu acho que ele tem razão.
Milhares de vezes vemos o coletivo adotar um comportamento diferente, de um dia para o outro (Alou, 2020?).
Olhando mais profundamente, temos de fato na física o conceito de massa crítica, comumente ilustrado pela história do centésimo macaco.
Esse conceito afirma que quando um número de pessoas adota uma nova cultura (número que ainda é a minoria) gera o ponto de virada. (Ver mais aqui)
Quando uma pequena parte muda, o todo muda.
"Uma vez que abrirmos mão coletivamente dos quatro mitos da autodestruição que foram programados na nossa civilização, como engolir a pílula vermelha no Matrix, nós podemos dar um salto evolutivo no que equivale a um piscar de olhos." - Dr. Bruce Lipton